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Consideram a Tradição

No Rito Escocês Antigo e Aceite que praticam em exclusivo, consideram-no um rito iniciático racional. Procuram demonstrar internamente que os maçons não devem confundir Tradição com Conservadorismo, da mesma maneira que não devem confundir Espiritualidade com Religião, Modernidade e Modernismo. Não expondo assim, em qualquer circunstância, um processo iniciático aos olhar público e profano.

Consideram a Tradição como algo que se transmite de uma maneira viva, pela palavra, pela escrita e pelas diversas formas de actuar. Dizem que a Tradição é a vida em movimento, segundo a ordem cósmica, até a um melhor pensar, um melhor decidir, um melhor ser, fundamento do único progresso que consideram digno dos potenciais humanos.Defendem que a Tradição é uma fonte original que não se esgota nem se substitui. Por serem Tradicionais representam uma vida de sentimentos, pensamentos, crenças, aspirações e acções.

Transmitem aquilo que gerações sucessivas têm igualmente que perdurar e procuram legar como condição permanente de vivificação, de participação numa realidade em que o esforço individual e sucessivo pode alimentar-se indefinidamente sem esgotá-la. Sobre esta Tradição implicam uma comunhão espiritual das almas que promovem, pensam e se querem unidas por um mesmo ideal.Consideram que o Rito Escocês Antigo e Aceite é a autoridade da Razão. Que a Razão procede a Fé, sendo estes dois elementos-chave da espiritualidade do Rito que nada tem a ver com religiosidade. Explicam nas suas vinte e duas Lojas que a Religião não é mais do que uma organização material, extrínseca à espiritualidade. Ultrapassando assim o marco das religiões. Que a Espiritualidade existiu antes delas, desde que o homem tomou consciência da sua existência e da sua relação com o Universo. Explicam com insistência que o Rito se caracteriza pela Razão e pela Fé; não da Fé numa verdade revelada, mas num Princípio que se rege segundo leis imutáveis e suficientemente fortes que denominam Grande Arquitecto do Universo. Segundo eles, um maçon esforça-se por se conformar a uma Ordem, por actuar de acordo com umas regras para criar o seu Templo interior. E, com a Razão e a Fé, acedem ao sagrado. Enquadrando desta forma a Iniciação: o adepto não se trata como um demiurgo neoplatônico ou gnóstico, de dominar a natureza e transformar o mundo, mas de aprender a dominar a sua natureza e transformar-se a si mesmo para ver o mundo de outra forma. Mediante esta ascensão que o leva ao transcendente, o maçon consegue espiritualizar-se à sua maneira e, pessoalmente, de sentir a sua pertença ao universo. Esta maneira pessoal produz-se primeiramente pela apreensão dos pequenos mistérios que colocam o Homem no caminho de uma busca ampliada até si mesmo e aos seus semelhantes. Segundo a Maçonaria Tradicional utilizam os símbolos ou utensílios maçónicos para melhor conhecerem os elementos constitutivos da sua existência. Chegam gradualmente a saciar a sua ignorância original, aprendendo que o trabalho ajuda a corrigir os seus defeitos e os seus erros.Com isto querem que o maçon tome consciência do valor da sua própria existência, que aprende a venerar como bem inalienável que devem cultivar com esmero.